Cortes atingem UFRN e IFRNs, mas não tem greve. É submissão política ao governo Lula

 

O que chama atenção nos cortes milionários que atingem a UFRN e os IFRNs não é apenas o impacto direto sobre estudantes, contratos e serviços básicos. O silêncio ensurdecedor de dirigentes, servidores e entidades representativas é, talvez, o dado mais revelador desse episódio.

No governo Bolsonaro, qualquer contingenciamento virava ato público, passeata, faixas, ocupações e notas duríssimas. Reitores, sindicatos e centros acadêmicos iam às ruas em defesa do orçamento, da universidade pública e da educação federal. Agora, sob o governo Lula, os cortes são reais, documentados e igualmente graves, mas a reação simplesmente não vem. Cruzam os braços, fazem alertas técnicos tímidos e aguardam soluções administrativas que não chegam.

A pergunta é inevitável: por quê?
Os cortes deixaram de ser ruins ou apenas ficaram politicamente inconvenientes de denunciar?

O comportamento revela um constrangimento ideológico claro. Parte significativa da comunidade acadêmica prefere o silêncio ao confronto com um governo que ajudou a eleger e que ainda enxerga como “aliado”. A crítica, antes tratada como dever institucional, virou tabu político. Defender a educação passou a ter lado.

O resultado é perigoso. Universidades e institutos federais perdem força moral, enfraquecem sua credibilidade e deixam estudantes desamparados. Quando a defesa do orçamento depende de quem está no Planalto, a autonomia universitária vira discurso vazio.

Corte é corte, seja com Bolsonaro ou com Lula. O que mudou não foi o problema, foi a coragem de enfrentá-lo.