
O Ministério da Justiça encaminhou nesta semana ofícios solicitando o retorno de policiais federais cedidos para atuar em outros órgãos públicos, incluindo tribunais. Segundo o governo federal, a medida atende a uma diretriz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o efetivo da Polícia Federal no combate ao crime organizado.
Nos bastidores do Judiciário e da Polícia Federal, porém, integrantes ouvidos pela reportagem avaliam que a iniciativa pode afetar a estrutura de apoio ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator de investigações que envolvem aliados do governo, entre elas as apurações sobre descontos indevidos em aposentadorias do INSS e o caso Banco Master.
Declaração de Lula
Em discurso realizado em 23 de abril, o presidente Lula afirmou ter determinado ao Ministério da Justiça o retorno de delegados cedidos para reforçar o efetivo da Polícia Federal.
Na ocasião, o presidente disse que apenas permaneceriam cedidos policiais que ocupassem cargos de secretário de Estado.
Após a declaração do presidente, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) contestou a medida.
Segundo a entidade, apenas 53 delegados estavam cedidos a outros órgãos, número que representa menos de 3% do efetivo da carreira. Para a associação, o principal desafio enfrentado pela Polícia Federal é a evasão de profissionais para outras carreiras públicas, e não o número de servidores cedidos.
Mudanças no caso INSS
A Polícia Federal também promoveu, no mês passado, alterações na condução da investigação sobre os descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
O inquérito passou da área especializada em crimes previdenciários para a Coordenação de Inquéritos dos Tribunais Superiores (Cinq). Segundo a corporação, a mudança buscou ampliar a estrutura de apoio às investigações consideradas mais sensíveis.
98fm













