
A organização iraniana de direitos humanos Hengaw informou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante os protestos em Karaj, será executado nesta quarta-feira (14). Segundo o grupo, as autoridades confirmaram aos familiares que a sentença de morte é definitiva, levantando preocupações sobre o uso da pena capital como forma de repressão às manifestações antigoverno.
Erfan Soltani não teve acesso a advogado, disse sua família nesta terça-feira (13). Segundo seus parentes, eles só foram autorizados a visitá-lo por 10 minutos. Soltani deve ser executado já na quarta-feira, segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw.
Soltani foi preso na última quinta (13) em sua casa por sua conexão com protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj.
As autoridades informaram à família que a sentença de morte era definitiva, relatou a Hengaw. Segundo a Fox News, Erfan Soltani será enforcado – método mais comum nas execuções no Irã.
“O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos”, disse a organização.
O chefe do Judiciário iraniano, subordinado aos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei, já havia dito que que tribunais especializados foram designados para lidar com os protestos.
A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) diz estar “extremamente preocupada com a situação no país e alerta para “o risco de execuções em massa de manifestantes”.
As manifestações, que começaram em dezembro, tinham como foco a má situação econômica do país, mas a repressão violenta a elas levou os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que goveram o Irã desde a Revolução de 1979.
As autoridades reagiram com bloqueios de internet e repressão, resultando em centenas de mortos segundo organizações de direitos humanos. A situação agrava ainda mais o cenário político e social do país, marcado por tensões internas e ameaças externas.
A repressão aos protestos que ocorrem no Irã já deixaram cerca de 2.000 pessoas mortas, afirmou nesta terça um membro do governo iraniano à agência de notícias Reuters.
A fonte ouvida pela Reuters culpou os manifestantes, que chamou de “terroristas”, por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.
g1