A confirmação recente de novos casos do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta das autoridades sanitárias internacionais. Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após o registro da infecção no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país. O patógeno preocupa especialistas por apresentar alto índice de letalidade e não contar com vacina ou tratamento específico.

O Ministério da Saúde da Índia informou que os focos identificados foram contidos “em tempo hábil”, mas reforçou a adoção de medidas de vigilância epidemiológica. Países vizinhos passaram a adotar protocolos preventivos, incluindo triagem em aeroportos e monitoramento de passageiros vindos da região afetada.

Descoberto em 1999, o vírus Nipah já provocou surtos em países da Ásia e é considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao potencial de causar epidemias com elevado número de mortes.

Doença não tem vacina nem tratamento específico

Os primeiros sintomas do Nipah se assemelham aos de uma gripe comum, como febre, dor de cabeça, dores musculares e mal-estar. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para dificuldades respiratórias severas e encefalite, condição que provoca confusão mental, convulsões e, em casos mais graves, coma.

A transmissão ocorre tanto de animais para humanos — principalmente por meio de morcegos e porcos, considerados hospedeiros naturais do vírus — quanto entre pessoas, especialmente em situações de contato próximo e prolongado. Até o momento, não há vacina nem medicamento específico aprovado para o tratamento da doença, sendo os cuidados médicos voltados apenas ao controle das complicações.

Segundo a OMS, a taxa de mortalidade do vírus Nipah varia entre 40% e 75%, percentual superior ao observado em outras doenças infecciosas recentes, o que reforça a necessidade de resposta rápida diante de qualquer novo foco.

Preocupação com risco de nova pandemia

Embora especialistas considerem pouco provável que o vírus Nipah provoque uma pandemia global, a ausência de imunizantes e o alto índice de letalidade mantêm o patógeno sob monitoramento rigoroso. A transmissão entre humanos é considerada limitada, o que facilita a identificação de casos e o isolamento de contatos.

Mesmo assim, países como Tailândia, Indonésia, Vietnã, Myanmar e China reforçaram medidas de vigilância sanitária, com triagem em aeroportos, monitoramento de sintomas e ampliação da capacidade de testagem laboratorial. Autoridades destacam que a prevenção e a informação são fundamentais para evitar a propagação descontrolada da doença.

Apesar da preocupação internacional, não há registros do vírus Nipah no Brasil ou em países da América Latina. Especialistas explicam que isso ocorre porque a região não abriga a espécie de morcego responsável pela manutenção do vírus na natureza, reduzindo significativamente o risco de circulação local.