A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) recebeu o título de cidadã honorária de Maxaranguape. A parlamentar esteve presente na cerimônia de homenagem, oferecida pelos vereadores da Câmara Municipal, realizada no último dia 29, quando agradeceu a honraria e destacou sua relação afetiva e política de longa data com a cidade.
O mandato da senadora já destinou cerca de R$ 8 milhões de emendas parlamentares, a que tem direito legal no Orçamento Geral da União, para financiar obras e investimentos em serviços públicos e em qualidade de vida para a população de Maxaranguape. Muitos desses resultados já foram inaugurados e entregues, a exemplo do calçamento de ruas e do reforço na infraestrutura, na saúde e na assistência social.
A sessão solene de entrega de títulos honoríficos de cidadania maxaranguapense ocorreu no âmbito da comemoração aos 67 anos de emancipação política do município.
Em agradecimento aos vereadores e à prefeita Nira pelo trabalho em conjunto e pelo reconhecimento público, a parlamentar publicou uma carta aberta à população local. Confira na íntegra:
Já disse o grande escritor Euclides da Cunha, autor do livro clássico “Os Sertões”: “o sertanejo é, antes de tudo, um forte!”. Hoje, vindo no caminho para receber esta emocionante homenagem do título de cidadã de Maxaranguape, eu fiquei contemplando as belezas naturais e as praias tranquilas desta terra, e pensei comigo: “QUE ORGULHO DE SER NORDESTINA!”.
Eu só posso agradecer. Não só com palavras, mas prosseguindo com nosso trabalho diário em defesa da população deste município.
Eu sobrevivi à mortalidade infantil no sertão do Nordeste há mais de 60 anos e não cheguei ao Senado para ter medo de lutar pela maioria da população brasileira. Sou uma sertaneja nascida na região do Seridó, filha de um pequeno agricultor e de uma humilde costureira que sempre me estimularam a estudar, apesar das dificuldades.
Cresci numa família nordestina com meus 15 irmãos, o que, desde cedo, me exigiu ter de falar em voz alta para ser ouvida. Levo esse princípio para minha luta na política. E na política, defender a vida dos mais pobres e a justiça social para nosso povo é uma luta que exige FORÇA NA PALAVRA E NO GESTO.
Ser nordestina é um privilégio, e eu trago essa identidade com orgulho todos os dias. Da cultura à culinária, das festas às paisagens, o Rio Grande do Norte é força, é beleza e é coração. E eu sinto essa alegria viva vibrando nos olhos do povo de Maxaranguape.
Mais do que um título oficial, esta generosa homenagem que recebo me estimula a servir ainda mais às nossas raízes, à nossa resistência e a tudo que faz dessa terra um símbolo de coragem e de sentimento coletivo. E é na fonte dessa força do povo que a gente se une em favor da política do bem comum.
Celebro a fé que faz a gente insistir, persistir e não desistir, a fazer com a força do braço e da alma os milagres da vida cotidiana.
Fui médica de hospital público, de pronto-socorro, e em 30 anos nessa linha de frente vi de perto as necessidades do nosso povo mais humilde, e é ao lado dessas pessoas que estou.
É aquilo que eu digo: eu devo ao povo, eu sou do povo, eu venho do povo, e, por isso, eu tenho uma responsabilidade muito grande. E luto, com emendas ao orçamento federal, em benefício das comunidades, das crianças, das mães, dos estudantes, dos idosos, das pessoas com deficiência, dos que precisam de hospital e de tratamento de saúde no nosso Estado, aqui em Maxaranguape. A emenda é para a população desta cidade ter de volta do poder público, por direito, o que paga em impostos.
Eu faço questão de exercer um mandato participativo, em que a sociedade do Rio Grande do Norte possa se sentir representada e ter resultados efetivos por meio da minha atuação nas propostas legislativas. Porque é fundamental essa abertura para as demandas da população, das famílias. Eu ando nas ruas, converso com as pessoas, sinto, olhando nos olhos das pessoas, quais são suas necessidades.
Quero destinar algumas palavras para encorajar a nossa juventude. Precisamos preservar as futuras gerações de problemas sociais que hoje desafiam todos os municípios, e nós, agentes públicos, temos dever de ajudar a resolver isso.
Nada protege mais a criança e o adolescente das garras dos criminosos, da cooptação feita por criminosos, do que uma boa escola pública em tempo integral, do que aula o dia todo com esporte, arte, formação humanística. Adote o Brasil este modelo, o Nordeste este modelo, o Rio Grande do Norte este modelo, e iremos combater de fato a violência em todas as suas formas.
Dentro dessa perspectiva, assinalo a importância de o poder público nos municípios, nos Estados e na esfera nacional fortalecerem projetos sociais – haja vista o impacto transformador, por exemplo, na realidade das famílias mais carentes e na construção de ativos que geram riqueza local.
Quando o poder público está presente nos bairros, com políticas públicas eficientes e aplicando dinheiro bem investido em serviços que são obrigação do Estado brasileiro, isso enriquece nosso estado, nossa cultura, nosso futuro. Isso valoriza alunas e alunos que serão os adultos de amanhã. É nosso dever apoiar e despertar o crescimento e a saúde integral de crianças, dos adolescentes.
Educação, saúde, cultura e acesso às oportunidades de trabalho são direitos de todos e dever do Estado, segundo a Constituição Federal. Não há avanço econômico equilibrado e desenvolvimento socialmente justo sem combate efetivo à violência e sem prevenção aos crimes.
Eu ajudo e vou continuar ajudando nosso povo.
Desde criança, como uma de 16 filhos de um agricultor e uma dona de casa do sertão do Seridó, eu soube que a educação transforma vidas e foi por meio dela que descobri minha vocação: cuidar da saúde das pessoas! Foi isso que me guiou até a política, a vontade de fazer ainda mais pelo povo do meu estado e do meu país! Sou filha desta terra e a ela retribuo com amor e trabalho.
Minha vocação para a política, tenho eu a impressão, se manifestou cedo: aos 15 anos, eu fui presidente do Departamento Feminino da Casa de Estudante de Caicó. Concluí minha graduação em Medicina na nossa Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, onde me especializei em infectologia. Durante 30 anos, exerci a profissão no Hospital da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e no quadro da Secretaria Estadual de Saúde do nosso Estado.
Apesar de estarmos em uma solenidade oficial, eu quero compartilhar com vocês que dentro deste município eu me sinto em casa, acolhida, representada e abraçada pelo sentimento espontâneo de pertencimento e enraizamento.
Por fim, quero dedicar minha saudação especial às mulheres. A política de igualdade, devemos reconhecer, não se estabelece somente dentro dos órgãos do Legislativo ou do Executivo. Ela deve, também, estar presente em todos os espaços da vida social, inclusive na esfera privada, nas escolas, no ambiente de trabalho e no convívio das famílias.
Quanto mais contundentes formos na defesa dos direitos, e quanto mais ouvidos dermos às reivindicações das mulheres, mais prontas estaremos, em conjunto, para ocupar o nosso espaço.
E o Rio Grande do Norte foi o primeiro Estado a não distinguir sexo para exercício do voto (lei estadual 660/1927), cinco anos antes do primeiro Código Eleitoral do Brasil (1932) garantir à mulher direito a votar e ser votada.
Duas mulheres potiguares entraram para a História como a primeira eleitora e a primeira eleita do Brasil. Em 1927, a professora Celina Guimarães é a primeira mulher a se alistar e conquistar direito a votar. Alzira Soriano é eleita prefeita de Lajes em 1928.
A luta é grande, e ninguém calará nossa voz. A melhor forma de transformar o futuro do País é arregaçarmos as nossas mangas e cumprirmos o papel de representar o povo.
Minha saudação e meus cumprimentos a todos e todas que caminham conosco neste momento. Recebam todos e todas o meu abraço cheio de gratidão, de fé na vida e de sentimento humano que põe a vida em primeiro lugar.
Muito obrigada!”
