
Quando um paciente procura ajuda por causa da disfunção erétil, a principal preocupação raramente é a saúde. Muitos estão angustiados com o impacto na vida afetiva e temem até o fim do relacionamento. A partir desse relato inicial, médicos costumam iniciar uma investigação mais ampla para entender o que está por trás da dificuldade.
Em casos de homens que já convivem com pressão alta ou diabetes mal controlada, a origem do problema costuma ser mais evidente. Nessas situações, os fatores de risco cardiovasculares já conhecidos ajudam a explicar a dificuldade de ereção.
Por outro lado, quando o paciente é mais jovem ou aparenta estar saudável, a avaliação costuma ir além. Médicos passam a observar possíveis alterações na circulação sanguínea e no funcionamento do coração.
Relação entre ereção e saúde do coração
Especialistas alertam que a disfunção erétil pode funcionar como um indicativo precoce de problemas cardiovasculares. De acordo com a American Heart Association, alterações na função sexual podem surgir de um a três anos antes de sintomas mais evidentes de doenças cardíacas, como dor no peito ou angina.
Diretrizes da American Urological Association também orientam que homens com disfunção erétil sejam informados sobre a possível relação com riscos cardiovasculares e outras condições de saúde que exigem investigação médica.
A explicação está no funcionamento dos vasos sanguíneos. Muitas complicações cardíacas começam nas artérias menores do corpo, que podem perder elasticidade ao longo do tempo e acumular placas formadas por colesterol e processos inflamatórios.
Como a ereção acontece no corpo
A ereção depende da interação de diferentes sistemas do organismo. Cérebro, nervos, vasos sanguíneos e músculos precisam atuar de forma coordenada para que o processo ocorra normalmente.
A excitação sexual começa no cérebro, que envia sinais pela medula espinhal até os nervos da região pélvica. Esses estímulos liberam substâncias químicas que fazem as artérias do pênis se dilatarem, permitindo o aumento do fluxo sanguíneo.
Com a chegada do sangue aos tecidos esponjosos do pênis, ocorre o aumento de volume e a rigidez característica da ereção. Ao mesmo tempo, a expansão comprime as veias responsáveis pela drenagem do sangue, ajudando a manter a rigidez.
Relação sexual e esforço físico
Nem toda disfunção erétil está relacionada a doenças do coração. No entanto, quando o problema surge de forma recente, persistente ou progressiva, principalmente em homens que se consideram saudáveis, médicos recomendam investigar fatores de risco cardiovasculares.
Entre os elementos que afetam a saúde vascular estão pressão alta, diabetes, tabagismo, colesterol elevado, sono inadequado e níveis elevados de estresse.
Em relação à prática sexual, especialistas afirmam que, para a maioria das pessoas com saúde cardíaca estável, o ato sexual é considerado seguro para o coração.
Intensidade do esforço durante o sexo
Durante a relação sexual, a frequência cardíaca e a pressão arterial podem aumentar temporariamente. Em geral, o esforço físico envolvido corresponde a cerca de três a cinco equivalentes metabólicos, conhecidos como METs.
Um MET representa a quantidade de oxigênio consumida pelo corpo em repouso. Atividades de três METs são comparáveis a caminhar rapidamente ou subir alguns lances de escada.
Se uma pessoa consegue realizar esse nível de esforço sem apresentar dor no peito ou falta intensa de ar, a relação sexual costuma ser considerada de baixo risco para o sistema cardiovascular.
Atenção aos sinais do corpo
Outra preocupação envolve o uso de medicamentos para disfunção erétil sem orientação médica. Algumas dessas substâncias podem interagir de forma perigosa com medicamentos cardíacos, especialmente nitratos utilizados para aliviar dores no peito, como a nitroglicerina.
Por isso, médicos recomendam que pacientes informem sempre quais medicamentos utilizam antes de iniciar qualquer tratamento.
Alterações na ereção nem sempre indicam uma doença grave. Em muitos casos, fatores como estresse, problemas de sono, saúde mental, conflitos no relacionamento ou efeitos colaterais de remédios podem estar envolvidos.
Ainda assim, especialistas destacam que mudanças persistentes devem ser observadas com atenção. O tratamento da disfunção erétil pode servir como porta de entrada para a prevenção de problemas mais sérios, contribuindo não apenas para a vida sexual, mas também para uma vida mais longa e saudável.
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