
O resort Tayayá, empreendimento que teve participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, mantém uma dívida com o Bradesco cujo pagamento vem sendo renegociado desde 2016.
O empréstimo original foi de R$ 20 milhões, com prazo inicial de três anos para quitação. No entanto, registros em cartório indicam que a dívida foi renegociada pelo menos cinco vezes, com prazos ampliados, isenção de multas e juros abaixo da taxa básica de mercado.
A última renegociação, registrada em outubro de 2024, estabeleceu que o saldo restante de R$ 7,1 milhões (cerca de R$ 8,1 milhões com juros) deverá ser pago até julho de 2026.
O Bradesco informou que não comenta o caso por envolver sigilo bancário. Já Toffoli afirmou, por meio de sua assessoria no STF, que não participou do empréstimo nem das renegociações.
Segundo o ministro, embora não fosse obrigatório, ele teria se declarado impedido de julgar processos envolvendo o banco. A reportagem, no entanto, identificou decisões do magistrado em casos do Bradesco após 2018.
Participação no projeto
De acordo com documentos do empreendimento, Toffoli passou a integrar a sociedade do resort em 2021, por meio da empresa Maridt S.A.. O projeto foi iniciado em 2006 por Mario Umberto Degani, primo do ministro, em parceria com o advogado Euclides Gava.
Quando Toffoli entrou na sociedade, a dívida com o banco já existia. O contrato de crédito foi registrado em 2016, com garantia hipotecária de imóveis do empreendimento.
Renegociações do empréstimo
O primeiro adiamento de pagamento ocorreu em maio de 2017. Nos anos seguintes, novos aditivos foram registrados em cartório ampliando os prazos.
Em 2018, por exemplo, 20 apartamentos do resort foram incluídos como garantia da dívida.
Na renegociação mais recente, foi registrada isenção de multa por atraso e juros de 6,5% ao ano, abaixo da média de 10,5% cobrada em financiamentos imobiliários para empresas no primeiro semestre de 2024, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos.
Questionamentos no caso Banco Master
O resort Tayayá também entrou no centro de questionamentos sobre a atuação de Toffoli no inquérito do Banco Master, no STF.
O ministro chegou a vender parte de sua participação no empreendimento a um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco investigado.
Documentos apontam que o fundo destinou cerca de R$ 35 milhões ao projeto. Toffoli reconheceu ter sido sócio do resort, mas afirmou que não recebeu recursos diretamente de Vorcaro.
Registros financeiros indicam que os aportes foram feitos por meio de um fundo controlado pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, que investiu no empreendimento através de uma estrutura de fundos utilizada no projeto Tayayá.