Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulam 14 trimestres no vermelho

 Correios divulgaram nesta segunda-feira (12) um plano estratégico de trabalho para contornar o prejuízo de R$ 2,6 bilhões. Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Os Correios encerraram o ano de 2025 com prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões, segundo resultados divulgados pela estatal nesta quinta-feira (23). O número representa mais que o triplo das perdas registradas em 2024, quando a estatal teve resultado negativo de R$ 2,6 bilhões.

Com o novo balanço, a empresa chegou ao 14º trimestre consecutivo apresentando prejuízo, sequência iniciada no fim de 2022. Apenas no primeiro semestre de 2025, o rombo acumulado já era de R$ 4,36 bilhões.

Precatórios pesaram no resultado

De acordo com as demonstrações financeiras, R$ 6,4 bilhões do prejuízo estão ligados a despesas com precatórios — pagamentos decorrentes de decisões judiciais definitivas.

Representantes da estatal afirmaram que parte do montante, cerca de R$ 2,63 bilhões, está relacionada a dívidas herdadas de gestões anteriores.

Receita caiu em 2025

A receita bruta dos Correios no período ficou em R$ 17,3 bilhões, valor 11,35% inferior ao registrado no ano anterior.

Segundo comunicado interno da empresa, a principal causa da queda foi a redução de encomendas internacionais transportadas, que recuaram 66% em relação a 2024. O movimento foi atribuído a mudanças nas regras de tributação de importações de baixo valor.

Plano de demissão e corte de gastos

Como parte da tentativa de equilibrar as contas, a estatal lançou programas de desligamento voluntário.

Entre fevereiro e abril de 2025, 3.181 funcionários aderiram ao novo Plano de Demissão Voluntária (PDV). Somando os programas de 2024 e 2025, o total chegou a 3.756 adesões.

A estimativa dos Correios é economizar R$ 147,1 milhões em 2025 e R$ 775,7 milhões em 2026 com as medidas.

Empréstimo bilionário com aval da União

No fim de 2025, os Correios fecharam contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União. Além disso, o governo federal autorizou a ampliação do limite para novos financiamentos, permitindo que a estatal busque mais R$ 8 bilhões em crédito.