Custo para importar gasolina dispara 61% e pressão sobre Petrobras cresce após guerra no Irã

 A redução, segundo a Petrobras, entra em vigor na próxima sexta-feira (1º) para os contratos acordados pela companhia com as distribuidoras. Foto: Agência Petrobras

Foto: Agência Petrobras

O custo para importar gasolina no Brasil subiu 61% desde o início da guerra envolvendo o Irã, segundo estimativa da Agência Nacional do PetróleoGás Natural e Biocombustíveis (ANP). A alta reacendeu a pressão sobre a Petrobras e aumentou a expectativa do mercado por reajustes nos preços praticados nas refinarias.

De acordo com os dados, o preço de paridade de importação da gasolina avançou nas últimas semanas, refletindo a disparada das cotações internacionais do petróleo e a elevação dos custos logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio. O indicador simula quanto custaria trazer o combustível do exterior para abastecer o mercado brasileiro.

Mesmo com a escalada dos preços internacionais, a Petrobras ainda não promoveu reajuste na gasolina desde o início da crise. Agentes do setor avaliam, no entanto, que eventual redução de tributos federais pode abrir espaço político e econômico para uma correção nos valores internos.

Na abertura do mercado desta semana, a gasolina vendida nas refinarias da estatal seguia abaixo do preço de paridade calculado por entidades do setor, ampliando a defasagem entre os preços domésticos e o mercado externo. Esse cenário pressiona margens de importadores privados e reduz competitividade.

Analistas apontam que o conflito deve continuar influenciando o preço do petróleo nas próximas semanas, mesmo em caso de arrefecimento diplomático. A normalização tende a ser gradual, mantendo incertezas sobre custos e abastecimento.

No caso do diesel, o impacto é considerado ainda mais sensível, já que o Brasil depende de importações para atender parte relevante da demanda interna. O governo já adotou medidas emergenciais para reduzir efeitos sobre os preços, como desoneração tributária e programas de compensação temporária.

Especialistas também alertam que o segundo semestre costuma registrar pressão adicional sobre combustíveis, em razão do aumento sazonal da demanda internacional. A combinação entre guerra, petróleo elevado e consumo mais forte amplia o desafio para o mercado brasileiro.