Jornal dos EUA compara PCC à máfia italiana e diz que facção opera como multinacional do crime

 

Reportagem foi do jornal 'The Wall Street Journal'. Foto: Reprodução/WSJ

O Primeiro Comando da Capital (PCC) ganhou destaque internacional após reportagem do The Wall Street Journal apontar que o grupo atua com estrutura semelhante à máfia italiana e eficiência de uma multinacional.

Segundo a publicação, a facção se tornou uma das maiores organizações criminosas do mundo e tem papel central na reorganização das rotas globais do tráfico de cocaína, conectando a América do Sul à Europa e avançando para os Estados Unidos.

Presença global e avanço nos EUA

De acordo com o jornal, autoridades americanas já identificaram integrantes ligados ao PCC em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Além disso, promotores federais em Massachusetts denunciaram brasileiros com suposta ligação com a facção.

Atualmente, o grupo reúne cerca de 40 mil membros e atua em 30 países, em todos os continentes, exceto a Antártida.

Diante desse cenário, cresce nos EUA o debate sobre classificar o PCC como organização terrorista — possibilidade discutida no governo de Donald Trump. Por outro lado, o governo brasileiro se posiciona contra a medida.

Estrutura empresarial e estratégias de expansão

A reportagem destaca que o PCC funciona com alto nível de organização interna, adotando um modelo empresarial. Os integrantes mantêm perfil discreto, seguem regras rígidas e priorizam lucro em vez de visibilidade.

Além disso, o grupo utiliza estratégias variadas para crescer. Segundo o jornal, criminosos se infiltram em comunidades, inclusive se passando por líderes religiosos, para recrutar membros e ampliar influência.

Em paralelo, investigações já apontaram o uso de igrejas, postos de combustíveis, empresas e outros negócios como formas de lavagem de dinheiro.

Atuação além do tráfico

O PCC não se limita ao narcotráfico. A facção também atua em atividades como mineração ilegal, extração de madeira, tráfico de pessoas e exploração de recursos naturais.

Especialistas afirmam que a organização funciona como uma espécie de “governo do crime”, com regras próprias e estrutura que permite expansão sem controle direto de território.

Por fim, essa característica torna o grupo mais difícil de combater, já que sua atuação se baseia em redes flexíveis e presença internacional crescente.

98fm