Maioria do eleitorado natalense demonstra desinteresse por política, aponta pesquisa Metadata/Grupo Dial

 

34,7% declararam ter pouco interesse no tema, enquanto 28,6% disseram não ter nenhum - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A pesquisa Metadata/Grupo Dial divulgada na última quarta-feira (1º) indica um cenário de baixo engajamento político na capital potiguar. Segundo o levantamento, 63,3% dos entrevistados afirmam ter “pouco” ou “nenhum” interesse por política.

Desse total, 34,7% declararam ter pouco interesse no tema, enquanto 28,6% disseram não ter nenhum. Em sentido oposto, 20,8% afirmam ter muito interesse e 15,9% relatam algum nível de atenção à política.

O levantamento também mapeou os canais de acesso à informação política. O Instagram aparece como principal fonte para 48,3% dos eleitores, à frente da televisão, citada por 43,1%. Portais de notícias e blogs somam 14,6%, seguidos por Facebook (12,1%) e YouTube (10,8%). WhatsApp (3,9%) e Twitter/X (1,7%) apresentam menor participação.

A combinação entre baixo interesse declarado e predominância das redes sociais, especialmente o Instagram, indica um ambiente em que o eleitor tende a ter contato incidental com conteúdos políticos, em vez de buscá-los ativamente. Como explica a CEO do Instituto Metadata, Karine Symonir, “o eleitor desengajado tende a formar sua opinião tardiamente e a ser mais suscetível a estímulos de campanha concentrados nas semanas finais antes da votação”.

O quadro ajuda a explicar o elevado grau de indefinição nas disputas eleitorais para 2026, sobretudo nos cargos legislativos. Na pergunta espontânea sobre intenção de voto para deputado federal, 81,3% dos eleitores não souberam ou não quiseram indicar um candidato. Para deputado estadual, o índice chega a 84,5%.

A indefinição também se repete nas eleições majoritárias. Na disputa pelo governo do Estado, 66,9% dos entrevistados declararam não saber em quem votar ou preferiram não responder. Já na corrida para o Senado, considerando a soma do primeiro e do segundo voto, 14% afirmam rejeitar todos os candidatos, enquanto 11,9% não souberam ou não responderam.

Para Karine Symonir, o cenário, embora desafiador, também abre espaço para movimentação eleitoral: “a grande maioria do eleitorado ainda está disponível e sem compromisso firmado, mas conquistá-lo exigirá estratégias de comunicação que rompam a barreira da indiferença”.

A pesquisa Metadata/Grupo Dial está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RN-07708/2026 e ouviu 1.000 entrevistados nos dias 27 e 28 de março, em Natal, com nível de confiança de 95% e margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.