Mensagens revelam que Banco Master já dependia de aportes do BRB antes de negociação

 Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Banco Master/Divulgação

Aportes ocorreram meses antes do anúncio oficial de compra de participação, feito em março de 2025. Foto: Banco Master/Divulgação

Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o Banco Master já recorria a recursos do Banco de Brasília (BRB) desde agosto de 2024 para enfrentar problemas de liquidez. As mensagens foram obtidas pelo Estadão e mostram que os aportes ocorreram meses antes do anúncio oficial de compra de participação, feito em março de 2025.

Além disso, os diálogos sugerem que o banco estatal já injetava recursos de forma recorrente para evitar o colapso da instituição privada.

Pressão por aportes e agravamento da crise

Nas conversas, Vorcaro cobra com frequência a liberação de recursos. Em uma delas, enviada em setembro de 2024, ele afirma que precisaria usar o depósito compulsório caso o dinheiro do BRB não fosse liberado a tempo. Esse mecanismo funciona como uma reserva obrigatória exigida pelo Banco Central do Brasil para garantir a estabilidade do sistema financeiro.

Inicialmente, os repasses ocorriam por meio da cessão de carteiras de crédito com lastro. No entanto, segundo as investigações, a partir do fim de 2024 o banco passou a utilizar carteiras consideradas irregulares para viabilizar novos aportes.

Com o avanço da crise, as mensagens mostram pedidos urgentes por novos recursos. Em dezembro, por exemplo, Vorcaro menciona a necessidade de injetar cerca de R$ 600 milhões no caixa para equilibrar as contas.

Operação investiga fraude bilionária

O caso ganhou novos desdobramentos com a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, durante mais uma fase da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por suspeitas de irregularidades na compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras consideradas falsas do Banco Master.

As apurações também indicam que, em 2025, o banco passou a negociar ativos ligados à empresa Tirreno, apontada como uma estrutura usada para simular operações financeiras.

Antes mesmo do anúncio oficial de aquisição, o Master já havia transferido R$ 4,6 bilhões ao BRB em 20 contratos. Posteriormente, a proposta de compra de participação, estimada em R$ 2 bilhões, acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.

Diante disso, as investigações concluíram que o banco teria realizado fraudes bilionárias e desvio de recursos, o que levou à liquidação da instituição em novembro de 2025.

Com informações do Estadão