O Partido Liberal (PL), a agremiação política de Flávio Bolsonaro (RJ), encomendou uma pesquisa detalhada para mapear potenciais candidatos a vice em uma possível chapa presidencial do senador. A decisão, tomada na preparação para futuras disputas eleitorais, busca identificar quem melhor complementa a imagem de Flávio, ampliando sua base de votos e reduzindo a resistência em confronto direto com Lula, especialmente visando a eleição de 2026. Esta estratégia é crucial para o futuro político da direita, moldando as alianças e o discurso que tentarão convencer o eleitorado brasileiro.

O estudo, de caráter quantitativo e qualitativo, visa testar nomes que possam somar votos e, sobretudo, amenizar a rejeição a Flávio Bolsonaro antes da escolha definitiva de seu parceiro de chapa. Quatro personalidades estão sob avaliação: o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE).

Lideranças do PL expressam uma preferência majoritária por uma mulher para a vice-presidência. A avaliação interna aponta que a presença feminina na chapa poderia ajudar a diminuir a resistência do eleitorado ao bolsonarismo, um segmento que o movimento enfrenta dificuldades em cativar. Entre as candidatas, Tereza Cristina é a mais cotada, embora demonstre reticência à ideia. Já Simone Marquetto oferece o diferencial de ser católica, um eleitorado que, atualmente, demonstra maior afinidade com Lula do que com Flávio Bolsonaro.

No caso de Clarissa Tércio, sua escolha visa fortalecer a candidatura do filho mais velho de Jair Bolsonaro junto ao eleitorado do Nordeste. Esta região, tradicionalmente forte para Lula e outros candidatos do PT, poderia ser estrategicamente alcançada pela deputada pernambucana, que tem forte ligação com a comunidade evangélica local.

Romeu Zema, por sua vez, representaria uma aposta no eleitorado mineiro, historicamente decisivo em pleitos presidenciais. Contudo, dados internos do próprio PL já indicaram que a influência do ex-governador em âmbito nacional pode ser limitada, desafiando a expectativa de um ganho decisivo para a chapa.

Dirigentes do PL enxergam na pesquisa uma ferramenta vital para que Flávio Bolsonaro não repita a estratégia de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Naquela ocasião, a escolha do general Braga Netto como vice-presidente, sob a justificativa de ser um “escudo anti-impeachment”, não agregou os votos esperados à chapa, segundo a análise interna do partido. A atual iniciativa reforça o aprendizado com o passado, buscando evitar a repetição de uma escolha que, na avaliação da legenda, não trouxe o retorno esperado.