
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou programas sociais e medidas econômicas para tentar recuperar popularidade antes das eleições de 2026. Mesmo assim, o petista mantém 40% de avaliação ruim ou péssima, segundo o Datafolha, e aparece empatado com Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno.
De acordo com especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, a principal dificuldade do governo está no aumento do custo de vida, especialmente dos alimentos.
Segundo pesquisa Genial/Quaest, 72% dos brasileiros acreditam que os alimentos ficaram mais caros. Além disso, 71% afirmaram que perderam poder de compra em relação ao ano passado.
O diretor do Eurasia Group, Christopher Garman, afirmou que a inflação dos alimentos tende a ser decisiva para a eleição.
Renda melhora, mas orçamento segue pressionado
Apesar do desemprego em níveis historicamente baixos e do avanço da renda média, especialistas avaliam que o orçamento das famílias segue apertado.
Segundo a Tendências Consultoria, a renda disponível após gastos essenciais atingiu o menor nível desde 2011.
Além disso, economistas apontam aumento da precarização no mercado de trabalho, com crescimento de vagas de menor remuneração.
Governo amplia gastos para aliviar pressão econômica
Nos últimos meses, Lula anunciou medidas como desoneração do diesel, ampliação de programas habitacionais e novos pacotes de renegociação de dívidas.
Segundo levantamento citado pela reportagem da Folha, o conjunto de ações pode injetar mais de R$ 100 bilhões na economia.
Especialistas veem semelhanças com estratégia de Dilma
Analistas comparam a estratégia atual à adotada por Dilma Rousseff em 2014, quando o governo ampliou gastos e estímulos econômicos antes da reeleição.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para riscos fiscais e para o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis, fertilizantes e inflação.
Guerra e petróleo elevam preocupação com inflação
Economistas afirmam que a guerra envolvendo o Irã elevou o preço internacional do petróleo e aumentou a pressão sobre os alimentos.
Além disso, projeções da MB Agro e do Banco Mundial indicam aceleração da inflação alimentar em 2026.
Segundo o economista André Braz, a continuidade do conflito pode ampliar ainda mais os preços ao consumidor.