Como o Banco Master usou influenciadores para pressionar o Banco Central após veto a fusão

 

Rovena Rosa/Agência Brasil

Documentos do “Projeto DV” revelam que Daniel Vorcaro, do Banco Master, coordenou ataques ao Banco Central e ao ex-diretor Renato Gomes por meio de influenciadores contratados. A operação foi gerenciada pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda. A informação é da Folha de São Paulo.

Os contratos somavam R$ 8 milhões, mas a maioria foi interrompida após a Polícia Federal iniciar investigação em janeiro. A PF identificou cerca de 40 perfis envolvidos no esquema.

BC foi alvo após rejeitar a compra do Master pelo BRB. Renato Gomes, responsável pela área que recomendou o veto, tornou-se o principal foco das publicações encomendadas.

Os documentos definiam títulos, textos, fotos e roteiros para cada perfil contratado, com orientações ajustadas ao estilo de cada um. Parte dos contratados seguiu as instruções sem alterações.

O portal GPS Brasília assinou contrato de R$ 100 mil mensais por um ano e publicou textos críticos a Gomes em dezembro e janeiro. O editor afirma que o acordo foi rescindido dez dias após a assinatura por incompatibilidade editorial.

O jornalista Luiz Bacci, com 24,3 milhões de seguidores, tinha contrato de R$ 500 mil mensais por seis meses para 30 postagens mensais. Ele confirmou a relação comercial com a Mithi, mas não comentou detalhes.

Outros perfis incluem Cardoso Mundo, que recebeu R$ 200 mil, e Marcelo Rennó, que recebeu R$ 78,4 mil. As postagens sobre o tema no perfil de Cardoso foram deletadas após o caso se tornar público.

Miranda, que repassou R$ 3,5 milhões após receber o mesmo valor de empresa ligada a Vorcaro, presta depoimento à PF nesta terça-feira. As defesas de Vorcaro e Miranda não se manifestaram sobre o caso.