Datafolha aponta que 41% dos brasileiros dizem ver atuação do crime organizado no bairro onde vivem

 

Foto: Divulgação/MPRN

Uma pesquisa do Datafolha revelou que 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam perceber a atuação do crime organizado no bairro onde vivem. O percentual representa cerca de 68,7 milhões de pessoas no país.

O levantamento foi encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ouviu presencialmente 2.004 pessoas em 137 municípios nos dias 9 e 10 de março deste ano. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Entre os entrevistados que disseram perceber a presença do crime organizado35% afirmaram que os grupos criminosos influenciam fortemente as decisões e regras de convivência do bairro. Outros 26,5% avaliaram o impacto como moderado.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, isso significa que cerca de 42,2 milhões de brasileiros vivem em locais onde organizações criminosas são percebidas como forças que regulam a vida cotidiana.

Medo de confronto e represálias aparece entre principais efeitos

O levantamento mostra ainda que:

  • 81% temem ficar no meio de confrontos armados;
  • 75% evitam determinados locais do bairro;
  • 71% têm medo de que familiares se envolvam com o tráfico;
  • 64% receiam sofrer represálias ao denunciar crimes.

Além disso, 12,5% disseram se sentir obrigados a contratar serviços indicados pelo crime organizado, como internet, energia ou abastecimento de água. Outros 9% afirmaram que precisam comprar determinados produtos ou marcas por imposição criminosa.

Capitais concentram maior percepção da criminalidade

A percepção da presença do crime organizado é maior nas capitais, onde 56% dos entrevistados relataram atuação de facções ou grupos criminosos. Nas regiões metropolitanas, o índice é de 46%. Já no interior, o percentual chega a 34%.

PCC e CV ampliam presença pelo país

A pesquisa também cita a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), que hoje estão presentes nas 27 unidades da federação.

Segundo o levantamento, as duas facções disputam territórios em diferentes regiões do país, incluindo áreas do interior paulista e do litoral.