Só doido não entende: fim da escala 6×1 pode quebrar empresas e destruir empregos

 

O avanço da proposta que pretende acabar com a escala 6×1 no Brasil e implantar o modelo 5×2 reacendeu um debate intenso sobre os impactos econômicos da medida no país.

A proposta ganhou força política no Congresso Nacional, recebeu apoio do governo federal e já foi aprovada em etapas importantes da Câmara dos Deputados. O texto prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho e garante dois dias de descanso ao trabalhador, sem redução salarial.

Para milhões de trabalhadores, a mudança representa mais qualidade de vida, convivência familiar e redução do desgaste físico e mental. Mas, no setor produtivo, o clima é de preocupação.

Empresários questionam como será possível manter a mesma estrutura de funcionamento com menos dias trabalhados, sem aumento de custos.

A principal preocupação envolve justamente a matemática da economia: quem vai pagar essa conta?

Governos federal, estaduais e municipais dependem diretamente dos impostos arrecadados sobre a atividade econômica produzida pelas empresas. São os empresários que geram empregos, movimentam o comércio, pagam tributos e sustentam boa parte da máquina pública brasileira.

Com menos horas trabalhadas e mais dias de folga, muitos setores terão de contratar mais funcionários para manter operações funcionando normalmente. Em áreas como comércio, supermercados, restaurantes, construção civil, indústria e prestação de serviços, o funcionamento não pode simplesmente parar.

O problema é que o aumento dos custos trabalhistas pode atingir principalmente pequenos e médios empresários, justamente os que mais empregam no Brasil.

E diante desse novo cenário, outro temor começa a crescer: a substituição da mão de obra humana pela automação.

Especialistas avaliam que empresas poderão acelerar investimentos em máquinas, inteligência artificial e sistemas automatizados para reduzir despesas operacionais. Funções repetitivas e operacionais tendem a ser as mais afetadas.

Na prática, críticos da proposta afirmam que o Brasil corre o risco de aumentar custos de produção, reduzir competitividade e estimular ainda mais a informalidade.

Outra preocupação é o impacto sobre o crescimento econômico do país. O receio de parte do setor produtivo é que o Brasil esteja discutindo redução da jornada antes de resolver problemas históricos como baixa produtividade, burocracia, carga tributária elevada e insegurança jurídica.

Representantes empresariais defendem que o debate precisa acontecer com equilíbrio para evitar fechamento de empresas, redução de vagas e desaceleração econômica.

Enquanto trabalhadores comemoram a possibilidade de mais descanso, empresários fazem uma pergunta que segue sem resposta clara: como manter a economia girando, sustentar empregos e garantir arrecadação pública se produzir ficará cada vez mais caro no Brasil?

Por Suerda Pires (Opinião)