
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a aliados que identifica uma estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para pressioná-lo a acelerar a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. Apesar das cobranças, o senador tem sustentado que não colocará a proposta em votação sem debate prévio e que o texto seguirá o rito legislativo da Casa.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, Alcolumbre também atribui à esquerda e a setores ligados ao governo os ataques que passou a receber nas redes sociais em razão da proposta.
Presidente do Senado rejeita votação acelerada
Em conversas reservadas, o presidente do Senado afirmou que o Executivo deseja uma votação rápida da PEC, com o Senado apenas referendando o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
A avaliação de Alcolumbre, porém, é que os senadores precisam ter tempo para analisar os impactos da medida. Segundo ele, os deputados levaram mais de cinco meses discutindo a proposta antes de definir uma versão para votação.
Nesta terça-feira (2), durante sessão no Senado, o parlamentar contrariou a expectativa do governo ao declarar que a PEC não será encaminhada diretamente ao plenário. Segundo ele, a matéria deverá passar, ao menos, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Debate amplo é defendido pelo senador
Ao justificar sua posição, Alcolumbre afirmou que uma proposta dessa magnitude exige diálogo com diferentes setores da sociedade.
O senador defendeu que os parlamentares tenham tempo para analisar o texto, ouvir trabalhadores, empresários, empregadores e representantes da classe operária antes de tomar uma decisão.
Aliados relatam que ele considera inadequado discutir uma matéria com forte apelo popular em pleno período eleitoral, cenário que, na avaliação do presidente do Senado, pode limitar um debate mais aprofundado sobre as consequências da medida.
Ainda assim, reconhece que a proposta conta com amplo apoio popular e que será difícil impedir sua votação caso os empresários não consigam convencer a população sobre possíveis impactos negativos.
Empresários buscam ampliar debate sobre impactos da PEC
As declarações ocorreram após uma reunião entre Alcolumbre e uma comitiva de empresários liderada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada na véspera da votação da proposta na Câmara.
Durante o encontro, o presidente do Senado afirmou que vem sendo pressionado por grupos favoráveis e contrários à PEC e reiterou que conduzirá a tramitação sem pressa e com diálogo.
Segundo representantes do setor empresarial que participaram da reunião, o grupo saiu do encontro com a missão de ampliar a divulgação de argumentos sobre possíveis efeitos da proposta nos preços de produtos e serviços.
A avaliação desses empresários é que uma mudança na percepção da opinião pública poderia reduzir a pressão sobre os senadores e abrir espaço para que a discussão seja prolongada ou até adiada para depois das eleições.
PEC depende de 49 votos no Senado
Para ser aprovada, a PEC do fim da escala 6×1 precisará do apoio de 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.
Caso o Senado promova alterações no texto aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para uma nova análise antes da conclusão do processo legislativo.