O preço de construir continua subindo. E alguém vai pagar essa conta.

 


O quarto aumento consecutivo do Custo Unitário Básico da Construção (CUB) no Rio Grande do Norte não é apenas um indicador técnico acompanhado por engenheiros e construtoras. É um sinal de alerta para toda a economia.

Quando o metro quadrado ultrapassa a marca de R$ 2,1 mil, a conta inevitavelmente chega ao consumidor. Imóveis novos ficam mais caros, reformas pesam mais no orçamento das famílias e os investimentos passam a exigir maior cautela.

O Sinduscon-RN aponta fatores externos, como combustíveis, energia e logística, para explicar a escalada dos custos. A justificativa faz sentido, mas não conta toda a história. O setor também convive com problemas estruturais, como a escassez de mão de obra qualificada e o aumento dos custos operacionais, desafios que não nasceram com as crises internacionais e dificilmente desaparecerão com elas.

Há ainda uma preocupação pouco comentada. Quando empresários da construção começam a defender mecanismos mais rápidos de reequilíbrio contratual, o recado é claro: muitos contratos, especialmente os de longo prazo, estão sendo pressionados por custos superiores aos previstos. Em obras públicas, isso costuma significar aditivos, renegociações e, em alguns casos, atrasos.

O paradoxo é que o aumento dos custos também pode revelar um setor em movimento. Afinal, não há pressão sobre materiais e mão de obra sem atividade econômica. A questão é saber até quando o mercado conseguirá absorver esses reajustes sem comprometer vendas, investimentos e novos empreendimentos.

Para um estado que aposta na expansão imobiliária e na atração de grandes investimentos, a persistência dessa trajetória merece atenção. Se os custos continuarem subindo mais rápido do que a renda das famílias e a capacidade de investimento das empresas, o resultado pode ser a desaceleração de um setor que historicamente impulsiona emprego e crescimento.

No fim das contas, o CUB é mais do que um número. É um termômetro da economia. E, neste momento, ele continua apontando para uma temperatura que inspira cautela.


Rosalie ArrudaCidade Sem Filtro