
As investigações envolvendo o Banco Master, as fraudes no INSS e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passaram a ocupar espaço importante na disputa presidencial de 2026. As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) têm buscado ajustar suas estratégias diante de apurações da Polícia Federal (PF), decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e movimentações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a Folha de São Paulo, os dois principais candidatos vêm enfrentando os efeitos políticos de investigações que atingem pessoas próximas a seus grupos. Em maio, mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, reveladas pelo Intercept Brasil, associaram o senador ao caso do Banco Master e ao filme Dark Horse, enquanto a PF passou a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência em negociações envolvendo contratos com o governo federal.
A investigação envolvendo Lulinha também se relaciona à lobista Roberta Luchsinger, que é investigada por sua ligação com o esquema conhecido como “Careca do INSS”, relacionado a descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões. A PF ainda apura pagamentos feitos por Roberta ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
O impacto político dos episódios já é acompanhado pelas duas campanhas. O principal temor entre os aliados é que novos desdobramentos dos casos envolvendo Lulinha e Vorcaro possam influenciar o eleitorado ainda indeciso. Segundo o levantamento mais recente do Datafolha, esse grupo representa cerca de 2% dos eleitores.
STF e TSE ganham peso no cenário eleitoral
Além das investigações, decisões de ministros do STF e do TSE também passaram a influenciar o ambiente eleitoral. Um dos nomes centrais nesse cenário é o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master e de dois dos três inquéritos que envolvem Lulinha. O terceiro processo está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Recentemente, Mendonça determinou a apuração de possíveis vazamentos relacionados ao inquérito sobre as fraudes no INSS, após solicitação da defesa de Lulinha. O episódio reforçou críticas de diferentes setores políticos sobre a atuação da Polícia Federal.
Na direita, aliados de Flávio Bolsonaro questionam supostos vazamentos seletivos relacionados ao caso Master. O senador chegou a abrir mão da escolta oferecida pela PF aos candidatos à Presidência e optou pela segurança da Polícia do Senado.
Inteligência artificial também entra no xadrez
Outro ponto de tensão envolve o uso de inteligência artificial nas eleições, especialmente a divulgação de vídeos produzidos com tecnologia deepfake. O tema ainda será analisado pela Justiça Eleitoral e provocou divergências entre integrantes do TSE e do STF.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado por Jair Bolsonaro, tem sido associado a posições mais próximas às defendidas pelo grupo bolsonarista. Já Alexandre de Moraes, ministro do STF, é apontado pelo entorno de Flávio como uma das principais figuras capazes de influenciar o cenário eleitoral.
Moraes também é responsável por decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo restrições de visitas feitas por Flávio ao pai. O senador já acusou o ministro de interferir no processo eleitoral e de tentar influenciar o equilíbrio da disputa presidencial.
Corrupção volta ao centro da campanha
Com os novos episódios, o combate à corrupção voltou a ganhar protagonismo no discurso eleitoral. Flávio Bolsonaro tem sido pressionado a explicar recursos recebidos de Daniel Vorcaro para a produção de Dark Horse, enquanto sua campanha tenta explorar os casos envolvendo Lulinha, INSS e Marcola para atingir Lula.
Do outro lado, integrantes do PT enfrentam dificuldades para manter a corrupção como principal argumento contra o adversário. Lula afirmou que o filho precisa provar sua inocência e declarou que não pretende interferir na Polícia Federal para protegê-lo.
O cenário também se reflete em disputas estaduais, com decisões do STF e do TSE interferindo em eleições e conflitos políticos em estados como Rio de Janeiro, Roraima e Maranhão. Dessa forma, investigações, decisões judiciais e disputas entre os Poderes devem continuar entre os principais fatores capazes de alterar os rumos da eleição de 2026.