
Uma foto encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, colocou sob nova perspectiva uma declaração feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, apenas três dias antes no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na terça-feira (15), durante sessão sobre o caso Master, Gonet negou ter mantido relação de proximidade com Vorcaro. Segundo o PGR, o único encontro entre os dois ocorreu em abril de 2024, na presença de outras autoridades.
“Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o Sr. Vorcaro. O único encontro que eu tive com o Sr. Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal”, afirmou.
Três dias depois, veio a público uma fotografia encontrada pela PF no celular do banqueiro. A imagem mostra Gonet com Vorcaro durante uma degustação de charutos em Londres.
A foto, isoladamente, não comprova amizade ou qualquer irregularidade, mas acrescenta contexto à relação entre os dois depois de Gonet ter negado no plenário do STF a existência de “relacionamento de proximidade”.
A PGR confirmou o encontro. O advogado Ciro Soares, que encaminhou a fotografia a Vorcaro em junho de 2025, afirmou que o registro é de 2024, quando não havia investigação contra o banqueiro, e disse não haver irregularidade no episódio.
O material analisado pela PF também contém mensagens atribuídas a Gonet e intermediadas pelo advogado. Em uma delas, aparece a frase “já estou com saudade de você”. Há ainda registros envolvendo a participação do filho do procurador-geral em um evento e contatos telefônicos com Vorcaro.
Fala ocorreu durante sessão tensa no STF
A declaração de Gonet ocorreu durante a sessão de terça-feira, marcada por discussões sobre a condução das investigações do caso Master. Na ocasião, o PGR também agradeceu a André Mendonça por registrar que não havia identificado elementos que indicassem prática de ilícito pelo procurador-geral.
A referência provocou nova manifestação de Mendonça e entrou no contexto de uma sessão que terminou em forte confronto entre ministros.
Gilmar Mendes acusou a condução do caso de ter “inequívoco viés eleitoral”, enquanto Mendonça classificou a afirmação como “leviana”. Alexandre de Moraes também discutiu com o relator sobre a condução das apurações.
Diante do impasse, Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise.
Até o momento, os elementos divulgados não apontam a prática de crime por Gonet. A fotografia, no entanto, surge três dias depois de o procurador-geral afirmar publicamente ao STF que não manteve relação de proximidade com Vorcaro e acrescenta um novo elemento ao debate sobre os contatos entre os dois.