
Ex-ministros dos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de juristas, economistas, empresários e representantes de centrais sindicais, divulgaram neste domingo (13) uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, em meio à crise enfrentada pela Corte.
No documento, os signatários afirmam que o Supremo “não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica” e defendem uma apuração “rigorosa e imparcial” das acusações que vieram a público nas últimas semanas.
A carta manifesta “integral apoio” às medidas adotadas por Fachin para preservar a autoridade institucional do STF e cobra transparência nas investigações e na sessão plenária marcada para terça-feira (15).
Ex-ministros de três governos assinam documento
Entre os signatários estão Pedro Malan, José Carlos Dias e Miguel Reale Jr., que integraram o governo Fernando Henrique Cardoso; Paulo Vannuchi, ex-ministro do governo Lula; e José Eduardo Cardozo, que comandou o Ministério da Justiça durante o governo Dilma Rousseff.
O documento também reúne nomes ligados à economia, como André Lara Resende, Persio Arida, Edmar Bacha e Arminio Fraga.
Entre os juristas que assinam a manifestação estão Oscar Vilhena, Joaquim Falcão e Antonio Claudio Mariz de Oliveira.
A lista inclui ainda empresários como Candido Bracher, Carlos Jereissati, Fábio Barbosa, Guilherme Leal, Horácio Piva e Josué Gomes.
Representantes de diferentes centrais sindicais também aderiram ao documento: Sergio Nobre, da CUT; Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT; e Ronaldo Leite, da CTB.
Grupo fala em ‘mais grave crise’ da história do STF
Na carta, os signatários classificam o atual momento como a “mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal” e uma das mais graves da história republicana brasileira.
O grupo defende que os fatos sejam apurados e que eventuais violações à lei ou à dignidade dos cargos sejam responsabilizadas como forma de recuperar a confiança nas instituições.
Os signatários também sustentam que a superação da crise deverá envolver reformas institucionais no Supremo.
Entre as mudanças defendidas estão medidas para fortalecer decisões colegiadas, ampliar a transparência, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões de conduta e aumentar mecanismos de controle sobre a Corte e seus integrantes.
Carta pede sessão pública no dia 15
Outro ponto do documento é a sessão plenária do STF marcada para 15 de setembro. Os signatários defendem que ela seja realizada publicamente, citando o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal.
A carta é endereçada diretamente a Fachin e datada deste domingo, 13 de setembro.
Ao manifestar apoio ao presidente do Supremo, o grupo afirma que a resposta às acusações deve ocorrer com respeito ao devido processo legal, transparência e imparcialidade.
Leia a íntegra da carta:
A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Brasília, 13 de setembro de 2026
Senhor Ministro Presidente,
Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.
Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.
Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.