
As eleições de 2026 registraram o maior número de eleitores com deficiência desde o início da série histórica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2010. Ao todo, 1.970.165 pessoas com deficiência estavam aptas a votar, um aumento de 42% em relação a 2022.
O número de seções eleitorais com acessibilidade também cresceu. Em 2026, foram 220.577 seções com esses recursos, contra 156.296 nas eleições anteriores. A proporção passou de 31,6% para 42,6% do total de seções no país.
Entre as medidas adotadas estão recursos de acessibilidade nas urnas eletrônicas e o programa Seu Voto Importa, que oferece transporte gratuito a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Segundo o TSE, mais de 2 mil eleitores foram transportados pelo programa no primeiro turno.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem obstáculos relacionados ao deslocamento, à comunicação, ao acesso à informação e à capacitação dos mesários.
O advogado e jurista Joelson Dias, ex-ministro substituto do TSE, defende que a acessibilidade esteja presente em todas as etapas do processo eleitoral, desde o acesso às informações de campanha até a chegada ao local de votação. Ele também destaca a importância de ouvir as pessoas com deficiência para identificar problemas e aperfeiçoar os serviços.
Recursos de acessibilidade nas urnas
As urnas eletrônicas oferecem ferramentas para ampliar a autonomia dos eleitores com deficiência, como instruções por áudio, teclado em Braille, números em alto-relevo e tradução em Libras. Também é permitido o uso de cão-guia e, mediante autorização do mesário, o auxílio de uma pessoa de confiança.
Eleitores que utilizaram esses recursos relataram experiências positivas. A professora de música Carolina Dias Lima Souza, que tem deficiência visual total, destacou que o leitor de tela passou a informar também o nome dos candidatos, facilitando a confirmação do voto.
A acessibilidade, porém, não se limita ao direito de votar. A participação de pessoas com deficiência como candidatas também é um desafio. O número de candidaturas desse público passou de 476, em 2022, para 499, em 2026.
O tema foi debatido em setembro pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, que discutiu melhorias no atendimento, na acessibilidade dos locais de votação e nas condições para a participação política.
O balanço das eleições pode orientar mudanças para os próximos pleitos. A meta é garantir que as pessoas com deficiência possam votar e se candidatar com autonomia e em igualdade de condições.