
O ex-vereador e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Robério Paulino, afirmou nesta sexta-feira (6), em entrevista à 98 FM Natal, que o partido deverá lançar candidatura própria ao governo do Rio Grande do Norte nas eleições deste ano. Paulino disse que ele próprio é um dos nomes cogitados para disputar o cargo.
De acordo com Paulino, a tendência do diretório estadual do PSOL, que se reúne ainda nesta sexta-feira (6), é manter a estratégia de apresentar um candidato próprio ao Executivo estadual, mesmo com o apoio eleitoral do partido à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Há uma resolução do ano passado, votada por unanimidade, que aponta para o lançamento de candidatura própria ao governo. A tendência do partido é manter esse posicionamento. Apareceu na imprensa que o pessoal poderia apoiar Cadu, mas essa não é a posição do partido”, afirmou.
Paulino salientou ainda que a intenção do partido é fortalecer a representação política no campo progressista, e não dividir os votos. Ele explicou que a decisão final será tomada durante a reunião do diretório estadual, mas destacou que o seu nome está entre os possíveis indicados para representar o PSOL na disputa.
“Vamos discutir um candidato ao governo que talvez seja o professor Robério Paulino. Isso será decidido na reunião de hoje à noite. Não vamos prejudicar a candidatura de Cadu em nada. Nós falamos que vamos ajudar a bater na direita. E bater na direita com força”, disse.
PSOL deve rejeitar federação com PT
Durante a entrevista, Paulino também comentou a discussão interna do partido sobre a possibilidade de uma federação com o Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo ele, a posição majoritária no diretório estadual é contrária à proposta.
De acordo com o militante, o PSOL deve apoiar eleitoralmente a reeleição de Lula, mas sem formalizar uma federação partidária.
“Uma coisa é o apoio eleitoral para derrotar o bolsonarismo. Outra coisa bem diferente é uma federação, que comprometeria o partido durante quatro anos sob um mesmo guarda-chuva político”, afirmou.
Segundo Paulino, a expectativa é que o diretório estadual do partido no Rio Grande do Norte rejeite a proposta por unanimidade e leve essa posição ao diretório nacional, que se reúne neste sábado (7).
Autonomia política
Para o militante do PSOL, uma eventual federação poderia comprometer a autonomia do partido para adotar posições independentes no Congresso Nacional e nas disputas políticas. Ele citou como exemplo o posicionamento da legenda contra o chamado arcabouço fiscal, medida aprovada pelo Congresso que estabelece novas regras para o controle de gastos públicos.
“O PSOL foi o único partido a votar contra o arcabouço fiscal. Essa independência é fundamental para que o partido possa criticar políticas com as quais não concorda, mesmo em um governo que apoiamos eleitoralmente”, declarou.