
O ex-deputado estadual Arthur do Val afirmou, em entrevista nesta segunda-feira (30), ao programa 12 em Ponto, que não faz “reflexão moral” sobre as declarações que resultaram na perda de seu mandato em 2022. Ele também criticou o projeto aprovado no Senado que inclui a misoginia entre crimes de preconceito e discriminação.
Questionado sobre os áudios enviados durante a guerra na Ucrânia, em que fez comentários de teor sexual sobre mulheres ucranianas, Arthur classificou o episódio como “piada de mau gosto”, mas relativizou o conteúdo.
“Fiz uma piada de mau gosto, mandei mal, perdi meu mandato por causa disso. Minha vida virou de cabeça pra baixo. Agora, eu não tenho nenhuma reflexão moral pra fazer sobre aquilo”, disse.
Durante a entrevista, ele afirmou ainda que considera comum, em conversas privadas entre homens, a troca de falas consideradas ofensivas.
“Quando eu tô com meus amigos, eu falo barbaridades, faço piadas homofóbicas. O ambiente faz toda a diferença”, declarou.
Os comentaristas contestaram a fala, apontando que declarações com conteúdo discriminatório podem ser consideradas crime independentemente do contexto. Arthur respondeu que há “problemas técnicos” na forma como a lei pode interpretar esse tipo de situação.
O ex-deputado também se posicionou contra o Projeto de Lei nº 896/2023, aprovado pelo Senado no último dia 24. A proposta inclui a misoginia na Lei do Racismo e prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
O texto, relatado pela senadora Soraya Thronicke, define misoginia como a conduta que expressa ódio ou aversão às mulheres. A proposta também inclui a “condição de mulher” entre os critérios de proteção legal.
Arthur afirmou ser contra o projeto por considerar que o conceito de misoginia é “amplo” e pode gerar interpretações diferentes.
Relembre o caso
Arthur do Val teve o mandato cassado após a divulgação de áudios enviados em 2022, quando estava na Ucrânia no início da invasão russa. Nas mensagens, ele fez comentários sobre mulheres que fugiam da guerra, o que gerou repercussão negativa.
O caso foi considerado quebra de decoro parlamentar. À época, as falas foram classificadas por parlamentares e entidades como misóginas.
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