Trump decreta bloqueio naval no Estreito de Ormuz e Irã ameaça retaliação global

 

Divulgação/WANA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o início de um bloqueio naval contra o Irã no Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações realizadas no Paquistão.

A medida prevê a interceptação de toda embarcação que tente entrar ou sair da região, além de navios que tenham pago taxas ao governo iraniano para garantir passagem segura. O anúncio, segundo O Globo, elevou a tensão em torno de uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de petróleo e gás.

O Irã classificou a ação como “ato de pirataria” e ameaçou atacar todos os portos do Golfo Pérsico caso seus centros de navegação sejam ameaçados. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que qualquer embarcação militar que se aproxime do estreito será considerada uma violação do cessar-fogo vigente. Teerã alertou ainda que está pronta para retomar ataques, o que aumentaria as tensões com a China, principal compradora do petróleo iraniano.

Especialistas apontam que a operação envolve riscos jurídicos e diplomáticos significativos, já que abordar navios em alto-mar pode ser interpretado como ato de guerra.

A interceptação de embarcações de países terceiros, como China e Rússia, representa um ponto especialmente sensível para o governo americano. Juristas consultados pela BBC afirmaram que o bloqueio pode violar tanto o direito marítimo internacional quanto o acordo de cessar-fogo em vigor.

Aliados dos EUA demonstraram cautela diante da medida. O Reino Unido confirmou que não participará do bloqueio, enquanto Espanha e França criticaram abertamente a iniciativa, com Paris propondo uma missão multinacional “estritamente defensiva” para o estreito. A China pediu que ambos os lados “permaneçam calmos”, alertando que o bloqueio ameaça o comércio global.

O cessar-fogo de duas semanas entre EUA, Israel e Irã deve expirar em 22 de abril, e o bloqueio naval ameaça antecipar seu colapso. Em paralelo, Israel mantém sua ofensiva no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, o que foi um ponto de discórdia nas negociações de paz. A escassez de energia provocada pela crise alimenta temores de uma nova onda inflacionária global.

98fm