Inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos e remédios pressionam preços

 

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A inflação oficial do país desacelerou em abril, mas continuou pressionada principalmente pelos preços dos alimentos e medicamentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,67% no mês, após alta de 0,88% em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,39%, acima dos 4,14% registrados até março. No acumulado do ano, o IPCA soma alta de 2,60%.

Alimentos seguem como principal pressão

O grupo alimentação e bebidas voltou a liderar os impactos sobre a inflação, com alta de 1,34% em abril.

A alimentação no domicílio subiu 1,64%, enquanto a alimentação fora de casa avançou 0,59%.

Em nota, o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, fatores como restrição de oferta de alimentos, clima mais seco e aumento nos custos do frete influenciaram o resultado.

A elevação no preço dos combustíveis afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou o técnico do IBGE.

Medicamentos puxam alta no grupo saúde

O grupo saúde e cuidados pessoais acelerou de 0,42% em março para 1,16% em abril.

O principal impacto veio dos produtos farmacêuticos, que subiram 1,77% após a autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de abril.

Os artigos de higiene pessoal também tiveram alta, com destaque para os perfumes, que avançaram 1,94%.

Combustíveis desaceleram, mas seguem em alta

O grupo transportes teve alta mais moderada de 0,06% em abril, após avanço de 1,64% em março.

Apesar da desaceleração, os combustíveis continuaram subindo:

  • gasolina: +1,86%;
  • etanol: +0,62%;
  • combustíveis em geral: +1,80%.

O avanço menor nos preços dos combustíveis ajudou a reduzir o ritmo da inflação no mês.

Mercado já monitora impactos nos juros

O resultado veio exatamente dentro da expectativa do mercado financeiro e mantém atenção sobre os próximos passos do Banco Central do Brasil em relação à taxa Selic.

A inflação acumulada continua próxima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, especialmente em meio à pressão internacional causada pela alta do petróleo e pelas tensões no Oriente Médio.