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O Papa Leão XIV apresentou nesta segunda-feira (25) a encíclica Magnifica humanitas, primeiro documento oficial de seu pontificado, com um apelo global pelo “desarmamento” da Inteligência Artificial (IA). O texto aborda os impactos das novas tecnologias sobre a humanidade, a democracia, o trabalho e até os conflitos armados.
Durante discurso na Sala do Sínodo, no Vaticano, o pontífice afirmou que a IA precisa ser “libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte”.
Papa compara IA à revolução industrial
Na apresentação do documento, Leão XIV comparou os desafios atuais da Inteligência Artificial aos impactos provocados pela revolução industrial no século XIX, período em que o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum.
Segundo o pontífice, a Igreja não pode permanecer distante diante das transformações tecnológicas que influenciam decisões humanas e alteram profundamente as relações sociais e econômicas.
“A Inteligência Artificial hoje precisa ser desarmada”, afirmou o Papa ao defender que o avanço tecnológico esteja subordinado à dignidade humana e ao bem comum.
Documento cita riscos de exclusão e guerras
Ao longo da encíclica, Leão XIV demonstra preocupação com o uso de sistemas autônomos de armas e com algoritmos que, segundo ele, podem reforçar preconceitos e ampliar desigualdades.
O Papa afirmou ter recebido relatos sobre tecnologias capazes de negar acesso à saúde, trabalho e segurança com base em dados “contaminados por preconceito e injustiça”.
O documento também destaca os impactos da IA na forma como guerras são conduzidas, alertando para o risco de decisões automatizadas escaparem do controle humano.
“Desarmar não basta, é preciso construir”
No discurso, o pontífice afirmou que o desarmamento tecnológico precisa ser acompanhado pela construção de uma sociedade mais humana e solidária.
Leão XIV relembrou experiências vividas durante sua missão no Peru, especialmente após enchentes causadas pelo fenômeno El Niño em 2017, para defender que a reconstrução social depende da cooperação entre povos, instituições e governos.
“Ninguém reconstrói sozinho”, afirmou.
Encíclica é resultado de dez anos de debates
Segundo o Vaticano, a Magnifica humanitas é fruto de aproximadamente dez anos de reflexões internas sobre tecnologia e Inteligência Artificial.
O texto foi oficialmente assinado em 15 de maio, data que marca o aniversário da publicação da Rerum Novarum, considerada um dos documentos mais importantes da doutrina social da Igreja Católica.
Além de cardeais e religiosos, especialistas em tecnologia participaram da apresentação da encíclica, algo inédito em documentos desse tipo.
Papa defende diálogo global sobre tecnologia
Ao encerrar a apresentação, Leão XIV afirmou que a Igreja não pretende oferecer respostas técnicas para os desafios da Inteligência Artificial, mas contribuir com uma visão ética e humanitária sobre o tema.
O Papa convocou governos, empresas, cientistas e a sociedade civil para um esforço conjunto em defesa de uma tecnologia voltada ao desenvolvimento humano.
“Aprendamos a ouvir uns aos outros e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”, declarou.