
O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou nesta quarta-feira (24) que vai deixar o comando da liderança do governo no Senado. A decisão saiu depois de uma reunião com o presidente Lula (PT) em meio à repercussão da operação da Polícia Federal (PF) ligada ao caso Banco Master, que mirou o parlamentar na semana passada.
Em nota nas redes sociais, Wagner classificou a saída como um acordo mútuo e descreveu o encontro com Lula como uma conversa entre amigos. Segundo ele, a prioridade agora é provar a própria inocência e se dedicar às campanhas de reeleição — a de Lula, a do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues e a dele próprio ao Senado, ao lado de Rui Costa.
Por que Jaques Wagner saiu do cargo
A investigação da PF apura indícios de que o senador teria recebido benefícios econômicos, de forma direta ou indireta, relacionados ao Banco Master e a Augusto Lima, ex-sócio da instituição. Wagner nega as acusações e afirma que vai colaborar com as apurações.
Na última segunda-feira (22), a defesa do senador recorreu ao STF para tentar anular a operação, que resultou em mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar. Os advogados alegam falhas graves no processo e sustentam que Wagner nunca atuou no Congresso para favorecer o banco.
A pressão dos bastidores
Nos bastidores, aliados do Planalto vinham pressionando pela saída do senador para não respingar na pré-campanha de Lula à reeleição. A estratégia do governo era convencer Wagner a pedir o afastamento publicamente, evitando o desgaste de o próprio presidente ter de anunciar a troca.
O desgaste, porém, não começou agora. Wagner foi apontado como o principal responsável pela derrota de Jorge Messias na disputa por uma vaga no STF, rejeitada pelo Senado — sobretudo por não ter alertado Lula sobre o risco. O senador também protagonizou atritos internos durante a tramitação do chamado “PL da Dosimetria”, que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
Quem deve assumir a liderança
Dois nomes despontam como favoritos para a vaga: Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e próximo de Lula, e Teresa Leitão (PT-PE), atual líder do PT no Senado e bem avaliada no diálogo com governo e oposição. Nenhum dos dois deve disputar as eleições deste ano, o que abriria mais tempo para a articulação política.
Reações
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou solidariedade ao colega e defendeu a presunção de inocência. Já a oposição intensificou as críticas e tem usado o episódio para tentar virar a narrativa sobre a ligação do Banco Master com nomes da direita e do centrão.
Vale lembrar que, na semana passada, Wagner havia afirmado que não pediria para deixar o cargo, dizendo que Lula sequer havia tocado no assunto na conversa que tiveram horas após a operação. Quadro histórico do PT, ele já comandou os ministérios do Trabalho, da Defesa e da Casa Civil, além da Secretaria de Relações Institucionais.
Com informações da CNN Brasil.