Dados de brasileiros são vendidos na dark web por menos de R$ 70, aponta pesquisa

 

37% dos brasileiros dizem temer que seus dados pessoais estejam circulando na internet sem autorização. Foto: Kacper Pempel

Informações pessoais de brasileiros já circulam e são comercializadas na dark web, segundo levantamento da NordVPN divulgado neste mês. A pesquisa mostra que dados como cartões de pagamento, contas de e-mail e acessos a serviços digitais estão entre os itens negociados por criminosos.

O estudo também revela uma diferença entre a preocupação dos usuários e o interesse dos criminosos. 37% dos brasileiros dizem temer que seus dados pessoais estejam circulando na internet sem autorização. No entanto, contas utilizadas no dia a dia também aparecem entre os alvos mais procurados. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

Segundo o levantamento, um cartão de pagamento roubado custa, em média, US$ 13 (cerca de R$ 67). Já um pacote completo de informações pessoais, conhecido como “fullz”, é vendido por aproximadamente US$ 40 (R$ 208). Esse conjunto pode reunir nome completo, data de nascimento, endereço e informações de cartões.

Contas de redes sociais também são negociadas. Um acesso ao Telegram custa cerca de US$ 12 (R$ 62), enquanto uma conta do TikTok chega a US$ 60 (R$ 312). Já perfis da Netflix podem ser encontrados por menos de US$ 5 (R$ 26).

Os maiores valores estão relacionados a contas financeiras. De acordo com a pesquisa, uma conta comprometida da Wise custa, em média, US$ 899 (R$ 4.672). Na Revolut, o preço ultrapassa US$ 1.700 (R$ 8.840).

Para a NordVPN, os dados revelam uma diferença entre o que os usuários consideram mais preocupante e aquilo que desperta maior interesse no mercado ilegal. Enquanto informações bancárias e documentos são vistos como mais sensíveis, criminosos também exploram contas de e-mail, redes sociais e plataformas de streaming.

Brasileiros compartilham dados pessoais na internet

O levantamento também apontou que os brasileiros estão entre os usuários que mais compartilham informações pessoais na internet entre os países analisados.

Segundo os dados:

  • 82% já compartilharam o nome completo;
  • 78% já divulgaram a data de nascimento;
  • 63% afirmam ter compartilhado o endereço residencial completo;
  • 63% também já divulgaram o status de relacionamento.

O CPF já foi compartilhado na internet por 51% dos brasileiros entrevistados. Além disso, 21% disseram ter divulgado informações bancárias.

A exposição também provoca arrependimento. De acordo com a pesquisa, 21% dos brasileiros se arrependeram de ter divulgado algum dado pessoal online. O percentual é quase o dobro da média global.

O levantamento ainda aponta a forte presença da internet na rotina da população. 33% dos brasileiros afirmam que não conseguem imaginar passar um dia inteiro sem estar conectados.

Como a pesquisa foi feita

Os dados foram coletados pela empresa Cint entre 1º e 17 de abril de 2026. Ao todo, foram ouvidos mais de 20 mil usuários de internet em 20 países.

No Brasil, participaram 1.003 pessoas com idades entre 18 e 74 anos.

98fm