segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Caso Master: advogado disse a Vorcaro que banqueiro tinha apoio de Lula e do PT para operação com BRB

 

Foto: Reprodução

Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o advogado Walfrido Warde alertou o banqueiro, em março de 2025, sobre uma suposta estratégia do Grupo Globo para enfraquecer o apoio político que ele teria dentro do PT e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em um áudio enviado em 30 de março de 2025, dois dias após o Banco de Brasília (BRB) anunciar a compra de 58% do capital total do Banco Master, Warde afirmou que a cobertura do grupo de comunicação teria como objetivo reduzir o apoio de Lula a Vorcaro. Segundo o advogado, a emissora teria identificado que a sustentação política do banqueiro estava ligada ao presidente.

Na ocasião, Warde também encaminhou a Vorcaro uma captura de tela de uma reportagem do jornal O Globo sobre os serviços de consultoria prestados pelo ex-ministro Guido Mantega ao banqueiro e sobre o encontro entre Vorcaro e Lula no Palácio do Planalto, articulado por Mantega no fim de 2024.

A atuação do advogado, conforme ressalta a reportagem, consistia em avaliar o cenário político que poderia afetar os negócios do cliente. A operação de compra do Banco Master pelo BRB dependia da aprovação do Banco Central, então presidido por Gabriel Galípolo.

Mensagens citam Lula em negociações sobre o Banco Master

Entre abril de 2023 e julho de 2025, Walfrido Warde enviou a Vorcaro pelo menos 20 mensagens que mencionavam Lula. Os diálogos, encontrados no celular do banqueiro, registram tentativas de aproximação com o Palácio do Planalto em meio às articulações para viabilizar uma solução para a situação financeira do Banco Master.

Nas conversas, Warde relatou contatos com o presidente e com integrantes de sua equipe, especialmente Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, chefe de gabinete de Lula. Em abril de 2023, o advogado afirmou que conseguiria uma audiência para Vorcaro com o presidente. No mês seguinte, escreveu que havia saído de uma reunião com Lula e que o presidente havia perguntado sobre um e-mail do banqueiro.

Em agosto, Warde informou que viajaria a Brasília e pediu o avião de Vorcaro, dizendo que pretendia conversar com Lula. No mês seguinte, afirmou ter passado um longo período com o presidente e antecipou ao banqueiro que a conversa seria importante para ele.

As mensagens também registram articulações para uma reunião entre Lula e Vorcaro. Em novembro, Warde perguntou quando o banqueiro poderia encontrar o presidente e, depois, confirmou que o encontro estava marcado para uma quarta-feira, às 11h. A reunião teria ocorrido em 4 de dezembro de 2024.

Após o encontro, o advogado disse que daria um retorno sobre a conversa. Posteriormente, as mensagens passaram a tratar de uma possível nova reunião. Em março de 2025, Warde encaminhou a Vorcaro uma mensagem segundo a qual o presidente estaria disposto a receber o banqueiro, com a participação de Jaques Wagner.

O advogado também informou que Lula entraria em contato para ajustar a data. O Palácio do Planalto, porém, afirma que esse segundo encontro não aconteceu.

Mensagens registram reação de Vorcaro

Com o agravamento das dificuldades para viabilizar uma solução para o Banco Master, as conversas também passaram a registrar manifestações de insatisfação. Em 17 de julho de 2025, Vorcaro pediu que Warde transmitisse um recado a Lula: “Avise o presidente amanhã e vamos para a guerra”.

Em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”, Marcola afirmou ter repassado a mensagem ao presidente. Nas mesmas conversas, Warde escreveu que eles iriam “quebrar tudo” e pediu que o recado fosse levado ao chefe do Executivo. Uma mensagem atribuída a uma pessoa próxima ao presidente dizia que Lula havia conversado com Guido Mantega.

Em agosto, Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, perguntou a Vorcaro se Lula apoiava a operação de compra do Banco Master. O banqueiro sugeriu que o assunto fosse tratado por meio de “Edinho”, referência possivelmente a Edinho Silva, presidente nacional do PT. “Melhor via ele e não expor o presidente”, escreveu Vorcaro.

As mensagens mostram as tentativas de articulação política em torno do negócio entre o Banco Master e o BRB. Os diálogos, por si só, não comprovam que Lula tenha assumido compromisso para favorecer a operação.

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Com informações da Veja